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Exportações: Empresas ibéricas devem trabalhar em conjunto e ajudar as PME

Madrid, 10 Fev 2011 (Lusa)

As grandes empresas portuguesas e espanholas devem trabalhar juntas para procurar oportunidades de exportações e investimentos no estrangeiro já que assim ajudarão também a internacionalizar as empresas de menor dimensão.

A opinião é de Balbino Prieto Alda, presidente do Clube de Exportadores e Investidores espanhol, que interveio hoje em Madrid num almoço-debate promovido pelo Círculo de Empresários e Gestores Espanhóis e Portugueses (CEGEP).



Balbino Prieto Alda

"Temos de fomentar a aliança entre empresas dos dois países para determinadas regiões do mundo. Pode-se ir sozinho, mas muitos destinos como o Brasil, por exemplo, em conjunto é uma boa iniciativa. Estamos a ver isso em Angola e noutros países onde ir de mão de uma empresa portuguesa pode ser bom", defendeu.


"Normalmente, as multinacionais partem primeiro, porque têm dimensão, mas quando vão levam os seus fornecedores e isso tem levado nos últimos anos muitas pequenas e médias empresas (PME) para o exterior. É um trabalho que os Governos devem continuar a apoiar", comentou.



O Clube de Exportadores e Investidores espanhol reúne algumas das maiores empresas espanholas que representam 30 por cento da economia do país e mais de 55 por cento do investimento espanhol no exterior, que actualmente ascende a 500 mil milhões de euros.

Recordando que o grande movimento de internacionalização espanhol começou há cerca de 25 anos, Prieto lembrou que esse factor tem permitido a muitas empresas aguentar melhor embates como o da actual crise económica.

E ainda que, pontualmente, algumas empresas possam sofrer com a situação política em alguns países, isso ocorre porque beneficiaram de anteriores processos de privatização e estão hoje em sectores "estratégicos", como energia ou telecomunicações.

Num momento como o actual, defendeu, importa continuar a reforçar esta tendência, procurando consolidar e fortalecer ainda mais os laços bilaterais entre Portugal e Espanha, que já têm grande dimensão onde ainda há "oportunidades" para aproveitar.

"Temos de nos conhecer mais e trabalhar mais em conjunto. Projectos como o do TGV têm de se acabar porque isso aproximará as duas economias e permitirá fortalecer ainda mais as relações", considerou.

Apesar da crise, Prieto recordou que os dados apontam para uma retoma importante, com Espanha a crescer nas exportações e nos investimentos exteriores.

O mesmo acontece com o investimento em Espanha, que demonstra sinais de recuperação, com mais de dois terços (68 por cento) a vir para a capital, 11 por cento para o País Basco e cerca de 9,7 por cento para a Catalunha.

Para Prieto, o Governo deve continuar a apoiar este esforço de internacionalização das empresas, recuando, por exemplo, em medidas como a supressão em Espanha das quotas obrigatórias das grandes empresas para as câmaras de comércio.

"Essas quotas permitiam às câmaras ter capacidade de apoiar as pequenas e médias empresas que são as que mais necessitam de ajuda na internacionalização. Sem essas quotas as câmaras terão mais dificuldades e as PME serão prejudicadas", comentou.

ASP
Lusa